A cidade de Nova York está prestes a perder uma de suas verdadeiras lendas da gastronomia e da vida noturna.
Após 25 anos no coração de Chelsea, o Elmo Restaurant and Lounge fechará definitivamente na sexta-feira, 13 de março de 2026, marcando o fim de uma era para um dos restaurantes gays mais antigos da cidade. A decisão vem depois que o prédio onde fica o Elmo foi vendido, e o contrato de aluguel do restaurante vai acabar com a venda.
Por quase um quarto de século,o Elmo foi mais do que um lugar para comer –era um refúgio. De primeiros encontros e festas fabulosas a serviços fúnebres e eventos políticos para arrecadação de fundos, ele sobreviveu a tudo, desde o apagão de 2003 até a pandemia da COVID-19.
Quando as portas se fecharem em março, a Sétima Avenida perderá um pedaço de sua identidade original.
Uma referência em Chelsea desde 2001
Fundado por Bob Pontarelli em 2001, o Elmo chegou em uma época em que Chelsea era o coração indiscutível da comunidade gay de Manhattan.
Inspirado na lendária boate El Morocco, com suas listras azuis e pretas, o espaço parecia um sonho de meados do século: paredes espelhadas, poltronas elegantes e uma energia vibrante que transmitia sofisticação e inclusão.
Enquanto o andar de cima servia comida caseira americana consistente e um brunch de fim de semana lendário, o bar clandestino Coby Club, no andar de baixo, oferecia um tipo diferente de magia. Inspirado na Chinatown de São Francisco dos anos 1950, ele se tornou um palco para jazz improvisado, artistas da Broadway e artistas burlescos, mantendo vivo o espírito da vida noturna old-school de Nova York.

Um refúgio para a comunidade LGBTQIA
Ao longo de sua existência, o Elmo funcionou como uma “sala de estar” social para o bairro. Ele serviu como um espaço onde os nova-iorquinos queer podem se mostrar exatamente como são, acomodando-se com um nível de conforto e pertencimento que definiu o Chelsea das décadas passadas.
Ao longo dos anos, o Elmo se tornou um marco cultural, sediando desde as celebrações anuais do Orgulho, que se tornaram uma tradição do bairro, até inúmeros shows drag que apresentavam os melhores talentos da cidade, e até mesmo comícios políticos e encontros comunitários para organizadores locais.
Um artigo do New York Times de 2021 citou o Elmo como um dos últimos restaurantes gays do bairro, um título que faz com que o fechamento deste mês pareça o capítulo final da “velha Chelsea”.

“Ruim para o bairro”: reação dos nova-iorquinos
A notícia do fechamento causou comoção na comunidade. Até mesmo Andy Cohen, mais conhecido por seu trabalho na Bravo e frequentador de longa data, compartilhou sua tristeza nos comentários:
Bob, isso é péssimo. Que trajetória incrível. Essa notícia é ruim para Nova York e ruim para o bairro 🙁
Outros frequentadores regulares compartilharam sentimentos semelhantes, chamando o Elmo de “último vestígio da antiga Chelsea gay” e um lugar que “trouxe algumas das melhores pessoas para a minha vida”.

Os últimos dias
O último serviço vai rolar neste mês, na sexta-feira, 13 de março. Em uma mensagem de despedida sincera no Instagram do restaurante, Bob Pontarelli escreveu:
Pessoalmente, vou tentar abraçar todas as belas lembranças e experiências maravilhosas que o Elmo me proporcionou e seguirei em frente com novos empreendimentos e projetos filantrópicos que, espero, terão um amplo impacto… 25 anos é muito tempo. Ter um restaurante que teve o sucesso surpreendente e a estatura icônica que o Elmo teve é um privilégio e uma honra. Foi uma jornada maravilhosamente emocionante. Sempre serei profundamente grato por seus anos de apoio e amizade. Nos vemos por aí. – Bob Pontarelli
De acordo com Pontarelli, o prédio será convertido em unidades residenciais.
Planeje sua visita
Se você quiser se despedir de um pedaço da história viva, precisa agir rápido. As reservas já estão se esgotando para as duas últimas semanas.
- Onde: 156 7th Ave
- Quando: Seg–Qui (12h–22h), Sex (12h–23h), Sáb (11h–23h), Dom (11h–22h)
- Reservas: pelo site ou por telefone
Enquanto o Elmo se prepara pra apagar as luzes, a despedida parece maior do que só uma sala de jantar. Numa cidade que nunca para, perder uma instituição de 25 anos é um lembrete forte de como a paisagem de Manhattan tá mudando.
No entanto, durar quase um quarto de século na cidade que nunca desacelera não é pouca coisa — é uma prova da comunidade que o Elmo cultivou e dos frequentadores assíduos que continuaram voltando.

Para piorar a situação, a notícia chega poucos dias depois que os restaurantes italianos mais antigos de Nova York fecharam as portas para sempre.
Estamos fazendo um brinde ao Elmo, um verdadeiro original do Chelsea.