Depois de ficar fechado por mais de meio século, o histórico Jacob Riis Park Bathhouse vai reabrir oficialmente em julho. Mas, enquanto a ampla restauração de US$ 88 milhões é comemorada como uma grande vitória para quem curte as praias de Nova York, um novo detalhe está gerando um debate intenso na região: usar essas instalações de primeira vai custar caro.
Depois da notícia incrível de que esse marco de 40.000 pés quadrados finalmente vai voltar à ativa, os nova-iorquinos ficaram superanimados com a volta do ícone da “Praia do Povo”. No entanto, a revelação do The Rockaway Ocean Club — um clube de praia privado, só para sócios, localizado bem dentro do pavilhão público — mudou completamente o rumo da conversa.
Embora uma parte significativa do balneário continue totalmente pública, essa nova ala de luxo traz comodidades exclusivas, taxas anuais altíssimas e uma onda de polêmica para uma das orlas mais democráticas de Nova York. Aqui está o que você precisa saber sobre a privatização do balneário histórico antes de ir para a praia neste verão.
A privatização de um ícone da “Praia do Povo”
Embora a reconstrução de US$ 88 milhões seja, sem dúvida, uma façanha impressionante — restaurando a arquitetura deslumbrante e adicionando lojas no calçadão público —, ela vem com uma reviravolta polêmica que está dando o que falar entre os nova-iorquinos.
A ala privada do histórico balneário público está sendo comandada por uma equipe de desenvolvimento com fortes raízes na Soho House. Eles estão trazendo exatamente esse estilo de luxo exclusivo, só para sócios, direto para a orla de Rockaway.
Para você ter uma ideia do que a “Praia do Povo” está enfrentando como concorrência, o clube privado oferece um oásis que separa totalmente os sócios da galera do público, incluindo:
- A piscina: uma piscina impressionante, com entrada gradual, capacidade para 162 pessoas e cercada por espreguiçadeiras particulares, sofás de praia e guarda-sóis
- A Praia: atendentes dedicados que cuidam da montagem e desmontagem sob demanda de cadeiras e guarda-sóis bem na areia.
- O Club & Studio: um restaurante privado exclusivo para sócios que celebra o mar, um bar ao ar livre com jardim e um lounge de coworking que se transforma em um espaço social à noite
Os sócios também ganham vantagens de luxo, como acesso prioritário e descontos generosos nas futuras cabanas do hotel boutique de 28 quartos (previstas para 2027), espaços para eventos privados e lançamentos exclusivos de produtos.
No papel, parece o paraíso dos banhistas — mas o acesso a esse oásis exige superar uma barreira financeira significativa.

O custo da entrada (e a falta de um passe diário)
Antes de começar a passar o protetor solar, vamos te explicar a parte mais importante: a composição dos custos — porque, infelizmente, vantagens como essa não saem de graça.
A estrutura de preços é dividida em três categorias principais, dependendo de onde você mora, da sua idade e da rapidez com que você garantir sua vaga.
O Desconto Local (Associação Anual de Rockaway)
Se você mora na península, consegue o melhor preço na assinatura— mas precisa provar que mora em um desses CEPs específicos (11691, 11692, 11693, 11694 ou 11697) para ficar isento das taxas de adesão.
- Associação individual local: US$ 1.000 por ano (sem taxa de adesão)
- Assinatura familiar local: US$ 3.000 por ano (sem taxa de adesão)
Os Pioneiros (Associação Fundadora)
Para quem mora fora dos códigos postais locais e quer entrar na onda já, o clube está oferecendo tarifas “Fundadoras” garantidas para as temporadas de 2026 e 2027.
- Fundadores com menos de 30 anos: US$ 1.200 por ano (mais uma taxa de adesão de US$ 500)
- Mais de 30 fundadores: US$ 1.700 por ano (mais uma taxa de adesão de US$ 500)
- Família fundadora: US$ 3.500 por ano (mais uma taxa de adesão de US$ 500)
- Companion Pass: US$ 1.000 por ano (sem taxa de adesão)
As Tarifas Padrão (Associação Anual Regular)
Se você perder as categorias de fundadores, entram em vigor as tarifas padrão para quem não mora no bairro, e é aí que o preço da entrada começa a ficar bem alto.
- Padrão para menores de 30 anos: US$ 1.500 por ano (mais uma taxa de adesão de US$ 750)
- Mais de 30 Standard: US$ 2.000 por ano (mais uma taxa de adesão de US$ 750)
- Passe familiar: US$ 4.000 por ano (mais uma taxa de adesão de US$ 750)
- Companion Pass: US$ 1.200 por ano (sem taxa de adesão)
O que esse dinheiro realmente compra?
Para os nova-iorquinos dispostos a gastar milhares de dólares em uma assinatura, o clube oferece um nível de exclusividade à beira-mar que simplesmente não existia antes em Rockaways.
Enquanto o público em geral circula pela praia lotada, os sócios têm acesso exclusivo a um oásis privado nos fundos. Isso inclui a enorme piscina com entrada gradual e comodidades luxuosas, contornando completamente as longas filas do calçadão público por meio dos lounges privados do clube e de uma área de restaurantes exclusiva para sócios.
Basicamente, isso te dá a chance de fugir das multidões caóticas do pico do verão em uma das praias mais movimentadas da cidade.
O verdadeiro problema: o “passe diário” que não existe
No entanto, a estrutura de preços exorbitantes destacou um grande ponto de discórdia que está alimentando as conversas por aí: a completa ausência de uma opção de passe diário.
Diferente das piscinas públicas ou dos clubes de praia comuns, onde os visitantes podem comprar uma pulseira de um dia, o The Rockaway Ocean Club exige um compromisso anual completo e adiantado. Para uma família de fora do bairro que paga as tarifas padrão, isso significa desembolsar US$ 4.750 no primeiro ano só para passar pelos portões da piscina.
Os moradores locais estão apontando a dura realidade do calendário nova-iorquino: as instalações ao ar livre de primeira linha do clube só podem ser aproveitadas por quatro a cinco meses por ano.
Pagar milhares de dólares por um serviço sazonal em uma praia pública que sempre foi gratuita é difícil de engolir para muitos moradores de longa data — criando um confronto fascinante entre a hospitalidade de luxo e o espírito democrático da “Praia do Povo”.

O Choque Cultural: Gentrificação na “Praia do Povo”
A introdução de taxas de adesão caríssimas traz um conflito mais profundo e emocional para a orla.
Historicamente, o Jacob Riis Park — especialmente a área perto da Baía 1, a poucos passos do balneário — tem sido muito mais do que apenas um lugar para nadar. Desde a década de 1940, ele tem servido como um refúgio vital e democrático para as comunidades LGBTQ+ e trans de Nova York.
Conhecida como “The People’s Beach”, essa faixa de areia é famosa por ser um refúgio gratuito e inclusivo, onde os nova-iorquinos marginalizados podiam se expressar com segurança, sem serem julgados.
Por causa dessa história tão enraizada, a chegada de um clube exclusivo comandado por veteranos da hotelaria de luxo gerou grandes preocupações com a gentrificação entre os frequentadores locais da praia.
Os críticos temem que trazer um elemento de “country club” de elite e caro para o coração do pavilhão altere, por natureza , a energia acolhedora e descontraída que definiu o Riis Park por quase um século. O receio é que um espaço historicamente construído para todos esteja sendo sutilmente reservado para uma minoria abastada.
A defesa da incorporadora: “controle de multidões”
Os criadores do clube insistem que o local não está tentando afastar a comunidade histórica da praia. Em vez disso , eles apresentam a ala privada como uma adição voltada para a família e uma ferramenta prática para controlar a multidão.
Nos fins de semana de pico do verão, a Praia de Riis pode receber mais de 45.000 visitantes por dia. A administração argumenta que a área exclusiva para sócios cria um refúgio controlado e sustentável para absorver parte desse caos, enquanto a receita ajuda a financiar a preservação do restante dos espaços públicos históricos.
Ursula Damani, uma das proprietárias do clube, disse ao New York Times que “o clima vai ser menos esnobe e mais como uma ‘versão moderna de um clube de campo intergeracional’”.

O que ainda é de graça
A boa notícia: se você não estiver disposto a desembolsar US$ 1.000 por uma assinatura, isso não significa que todo o balneário esteja fora de alcance.
Na verdade, a maioria das opções de comida, bebida e lojas no local é totalmente aberta ao público. Os desenvolvedores estão lançando o espaço em fases, começando com uma “Preview Season” especial que começa no fim de semana do 4 de julho (funcionando de sexta a domingo, de julho a outubro, com mais dias da semana a serem adicionados).
Veja exatamente o que você poderá acessar de graça no seu próximo dia de praia:
Os bares do pátio e do calçadão
O enorme pátio central foi projetado para ser o coração público do local.
- O Espaço Courtyard: uma área pública que funciona como playground durante o dia e como palco para shows ao vivo à noite
- Música ao vivo: você pode curtir bandas e DJs ao vivo na programação “Rockaway Sounds”
- Comida e bebida para o público: Durante a temporada de pré-estreia, o pátio vai receber um food truck com pratos clássicos americanos, um café servindo lanches e sanduíches, e o Boardwalk Beach Bar servindo cervejas geladas e drinks gelados
Em breve: o Food Hall e as lojas abertas ao público
À medida que o verão avança e o local sai da fase de pré-estreia, uma enorme variedade de restaurantes e lojas abertas ao público vai abrir oficialmente dentro do pavilhão, incluindo:
- O Food Hall: uma mistura vibrante de quiosques de comida independentes
- A Pizzaria: Servindo de tudo, desde as clássicas fatias de pizza nova-iorquinas até opções veganas e vegetarianas
- Marella’s: Uma sorveteria de gelato cremoso e café
- Everlie’s: um lugar com foco na saúde, especializado em smoothies, saladas e tigelas de açaí
- Bares e lojas públicas: o Café Bar público e o “Boogie” (um bar com clima tiki e boa música), além de lojas variadas como a Sunny’s Spot Beach Mart, onde você encontra itens essenciais de praia que você pode ter esquecido
Estacionamento e a praia
O oceano em si dispensa explicações e continua totalmente gratuito, com salva-vidas de plantão diariamente das 10h às 18h até o Dia do Trabalho.
E se você for de carro, o clube não monopolizou o asfalto — ainda há mais de 8.500 vagas de estacionamento públicas disponíveis na Área de Lazer Gateway do Parque Nacional, onde você pode facilmente comprar um passe diário de estacionamento online ou um passe sazonal na entrada do estacionamento.