Depois demais de cinquenta anos, o Rush está, de alguma forma, mais “Closer to the Heart ” do que nunca.
Mais de uma década depois de encerrarem o que muitos acreditavam ser sua última turnê, Geddy Lee e Alex Lifeson voltaram a Nova York neste fim de semana para quatro noites com ingressos esgotados no Madison Square Garden, na turnê “Fifty Something” da banda.
A apresentação de sábado à noite foi uma celebração eletrizante do legado do Rush, do impacto imensurável do baterista Neil Peart e dos fãs que esperaram 11 anos por esse momento.
Fiel à época que grande parte do repertório celebrava, a produção foi tão teatral quanto a música. A noite começou com um curta-metragem hilário que acompanhava um trio em uma busca para encontrar o Rush dentro de uma mansão assustadora. Pelo caminho, eles cruzaram com o Geddy Lee disfarçado de vendedor de cachorro-quente, o Paul Rudd e o Jason Sudeikis reprisando a amizade do filme “I Love You, Man”, e várias referências bem-humoradas à mitologia da banda.
Quando o trio finalmente encontrou Lee e Lifeson em uma sala coberta de teias de aranha, vestidos de forma a parecerem décadas mais velhos, eles fizeram a pergunta óbvia: “Vocês são o Rush?” A dupla respondeu com cara de pau:“Sim.” Depois de uma pausa, acrescentaram:“Decepcionante, não é?”
O show, como era de se esperar com uma introdução dessas, ficou bem longe disso.
Lee e Lifeson subiram ao palco e abriram o show com “Xanadu”, com Lifeson empunhando sua icônica guitarra de braço duplo enquanto a arena explodia de emoção. A partir daí, a apresentação de quase três horas se tornou uma viagem pela carreira da banda, abrangendo mais de cinco décadas de rock progressivo.
O show de sábado à noite também teve um peso emocional: marcou o 11º aniversário da última apresentação da banda com Neil Peart. “A melhor parte pra mim foi ver o Neil crescer como letrista”, disse Lee. “Ver as observações dele sobre o mundo, nas músicas sobre seus próprios momentos difíceis na vida. Autobiográficas, às vezes. E também — o amor e o que significa viver a vida.”
Durante toda a noite, a presença de Peart foi sentida em todos os lugares— desde montagens de vídeo comoventes e gravações de arquivo até a reverência com que cada música foi tocada.
Depois de um primeiro set eletrizante, a banda saiu para um intervalo de 20 minutos, marcado por um relógio de contagem regressiva na tela gigante. Assim que o relógio chegou a zero, o público curtiu mais uma introdução animada hilária do South Park antes que a segunda parte da noite mergulhasse de cabeça no amado álbum “Moving Pictures” do Rush.

Uma coisa que eu, como membro da plateia que, admito, não estava por aí há uns 50 e poucos anos, percebi rapidinho foi o quanto essa música está enraizada nos fãs do Rush. Talvez eu não soubesse exatamente em quais momentos tocar “guitarra imaginária” ou bater “bateria imaginária”, mas o resto da galera parecia acompanhar cada batida com precisão impecável.
Dava pra ver que o Lee e o Lifeson estavam tão empolgados quanto a galera. Comentei isso com meu amigo de show (meu tio Billy, que sabia exatamente em quais momentos fazer o “air guitar”), que me lembrou que eles são amigos desde o ensino fundamental. Eles sorriram durante quase todas as músicas, trocaram olhares cúmplices e pareciam genuinamente gratos por estarem dividindo o palco de novo.
Depois de anos insistindo que os dias de turnê do Rush tinham acabado, parecia, mais do que tudo, que a gente estava vendo dois amigos de longa data redescobrirem por que amavam fazer isso desde o início.
Setlist de sábado:
- Xanadu
- Dreamline
- Subdivisões
- Voo a toda velocidade
- Bravado
- Setor Vermelho A
- La Villa Strangiato
- Hino
- New World Man
- The Spirit of Radio
- suíte“Moving Pictures” (Tom Sawyer, Red Barchetta, YYZ, Limelight, The Camera Eye, Witch Hunt, Vital Signs)
- O Tempo Parou
- Mais perto do coração
- 2112 (Abertura / Templos de Syrinx / Grande Final)
- Bis: By-Tor & the Snow Dog, Working Man