Muito antes de o público começar a mergulhar na arte experimental ou a dar veredictos no The Jury Experience, o prédio da Roulette no Brooklyn já era um lugar onde os nova-iorquinos se reuniam para debater, organizar e moldar a vida pública. Sua história vai muito além da adoção da Roulette em 2010 e, de muitas maneiras, o espaço se destaca hoje como uma ponte entre suas origens no Tribeca e a evolução mais ampla da vanguarda nova-iorquina.
Do YWCA Memorial Hall ao Roulette
A Roulette foi criada em 1978 por um grupo de artistas e graduados da Urbana-Champaign, que buscavam um espaço onde a música experimental e o trabalho intermídia pudessem se desenvolver sem as restrições das salas de concerto tradicionais. Mas, como muitos espaços em Manhattan, acabou enfrentando leis de zoneamento e pressões imobiliárias, então se mudou para um espaço mais acessível e flexível no Brooklyn, que também era o lugar certo para artistas emergentes.

O atual teatro Roulette faz parte do complexo Art Déco da YWCA, construído em 1928. Ele foi projetado por Frederick Lee Ackerman e Alexander B. Trowbridge e servia como um espaço multifuncional com teatro, piscina, serviços comunitários e cerca de 214 unidades de moradia para mulheres de baixa renda.
Era um grande centro comunitário que desempenhou um papel importante na história social do bairro. Desde os bailes da USO durante a Segunda Guerra Mundial e a organização dos direitos civis até reuniões contra a Guerra do Vietnã e os primeiros encontros dos Panteras Negras e pelos direitos das mulheres, seu Memorial Hall tornou-se parte da história política mais ampla do Brooklyn até meados do século XX.
Um espaço em evolução para as artes
Desde então, a organização se estabeleceu firmemente como um lar para a arte experimental em Nova York e transformou o salão em um vibrante centro cultural — tudo isso mantendo intacto seu característico estilo Art Déco. O Roulette já recebeu uma longa lista de artistas influentes do mundo da vanguarda, bem como das cenas da música experimental, jazz e contemporânea, como Laurie Anderson, Lou Reed, John Zorn e Kaija Saariaho.
A cada temporada, o espaço recebe novas encomendas e colaborações, além de manter relações de longa data com artistas e intérpretes. Entre as apresentações de destaque que vale a pena conferir estão“John Zorn’s Simulacrum”, um festival de três dias chamado “NO FUN: NEW PERSPECTIVES” e dois novos dramas judiciais da The Jury Experience.